16.10.2006  
     
 
Camelô globalizado
 
  Para quem já estava se agasalhando na Alemanha para o outono europeu, o verão antecipado do Rio é quase um choque térmico: 29 graus, umidade do ar de 70% nesta segunda-feira. O jeito é tentar matar a sede com água de coco, que eu adoro e que, segundo o vendedor ambulante Manuel Marcos Cuio, vem do Rio mesmo. Até agora, eu sempre havia associado coco verde com Nordeste. "Dizem que até no Sul já tem plantação", conta-me Cuio.

Ele deve saber. Viaja o país inteiro, para cima e para baixo, há 18 anos, vendendo roupa. Água de coco ele só vende hoje, "por uns minutos", porque o irmão, dono do estande, foi buscar o filho na escola.

Cuio realmente parece viajar muito. Na semana passada, esteve em Florianópolis. "Passei frio", diz. Na próxima semana, talvez, leve sacolões de têxteis para a Espanha. De avião. Ele conta que trabalha para uma firma que produz "roupa para vender em barraca. Vendemos também em Miami, só que lá não estão comprando muito no momento".

Roupa de camelô brasileiro na Espanha e nos EUA, plantação de coco no sul do Brasil? Tenho lá minhas dúvidas. Mas uma coisa é certa: Cuio sabe contar histórias. Nem que seja só para agradar o freguês.
 
 
 
Geraldo 16.10.2006, 22:25 # 3 Comments
 
 
     
  16.10.2006  
     
 
Baviera-Colônia-Rio
 
  Depois de enfrentar atrasos de trens na Alemanha e passar por algumas "áreas de instabilidade metereológica" no avião, cheguei bem ao Rio. O vôo 9037 da BRA aterrissou pontualmente, à 23h deste domingo (15/10), no Aeroporto Internacional do Galeão – Tom Jobim, mas a retirada da bagagem demorou quase uma hora. Em todo o caso, foi menos tempo de espera do que na sexta-feira à noite, quando o acúmulo de atrasos de trens fez com que eu levasse oito horas entre Bonn e Eichstätt (Baviera), um trajeto normalmente transponível em cinco horas. Nos últimos 80 km, a partir de Nurembergue, a companhia ferroviária Deutsche Bahn me levou de táxi.

O vôo Colônia-Rio não demorou muito mais: 12 horas. A passagem de ida e volta custou 758 euros, sem contar os 100 euros de desconto para jornalista. O serviço de bordo correspondeu ao que se pode esperar por este preço: frango com arroz na refeição principal, mais um lanche com bolo de legumes e salada de frutas pouco antes da chegada, servido sobre bandeja de papelão, com talheres de plástico. O atendimento pelo pessoal de solo em Colônia e a bordo foi bom.

Na verdade, a linha Colônia-Rio é operada pela Pro Sky, uma companhia de vôos charter de Colônia (o dono, Achim Truga, é filho de uma carioca e tem parentes no Rio). Li no jornal Kölner Stadt-Anzeiger, que a empresa alemã paga 20 milhões de euros para usar o Boeing 767-300 da BRA. No vôo deste domingo, muitos dos 278 assentos estavam vazios. O principal público-alvo são turistas alemães, cujo número no Brasil deve dobrar para 600 mil por ano até 2010. E estes já estão acostumados aos serviços das companhias barateiras, com forte presença no mercado alemão.

No controle de passaporte, levei meu primeiro susto. A funcionária me alertou para tomar todo o cuidado com o notebook. "Tem uma quadrilha atuando aqui dentro do aeroporto. Eles se aproximam das pessoas e levam as coisas", advertiu. O taxista que me levou à Lapa se admirou. "Ela disse isso? Mas não é bem assim." Então, está bem. Posso ficar tranqüilo. Hoje é feriado parcial no Rio – Dia do Comerciário.
 
 
 
Geraldo 16.10.2006, 14:09 # 3 Comments
 
 
     
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