14.10.2009  
     
 
Pequenas porcarias no reino dos deuses
 
  Há algum tempo, quando estamos pela estrada de carro, ouço um grito de guerra vindo do banco de trás: "¡Cuyes!". "Cuyes" são porquinhos-da-índia, e, aqui no Peru, uma especialidade culinária.
Aterrissamos em Cuzco, uma das cidades mais bonitas da América Latina. Legendária capital do império inca. Ponto de partida para passeios ao Machu Picchu.
Nesta cidade as culturas se misturam, o que se nota muito pela arquitetura: por toda parte há casas que revelam os diferentes estilos de construção de cada cultura. Na parte de baixo, os povos andinos e os incas, em cima, as pedras do período colonial. Os incas trabalhavam as pedras deixando-as lisas e retas, com encaixes elaborados; as pedras dos espanhóis, por sua vez, desajeitadas, tortas e toscas.
Nosso guia, Angelo, nos levou a um típico restaurante peruano: o La Chomba Ajhu Whosi. Isso é quechua e significa algo como: a jarra com "ajhu" caseiro. "Ajhu" é uma bebida de milho fermentado, cor de rosa e com ervas verdes por cima. Lembra um pouco a penicilina com sabor de morango que tomávamos quando criança. Este é o restaurante aonde os nativos vêm para comer. E nós também.
Pedimos porquinhos-da-índia. Com a intenção de filmar – e, no fundo, também de comer. Eles são servidos assados, bem douradinhos, de barriga para cima no prato. As garras arreganhadas num espasmo de morte. Sergio, nosso câmera, mostra que é homem de verdade e dá uma mordida corajosa. Moya, nosso técnico de som, segue o exemplo em silêncio.
De noite, os dois tiveram dor de barriga. A carne do porquinho-da-índia é gordurosa e pesa no estômago. ¡Cuyes!
 
 
 
Tanja Blut 14.10.2009, 01:04 # 0 comentários
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