01.10.2009  
     
 
O milagre de Potosí
 
  Aconteceu o que não podia acontecer: a câmera quebrou. Pode ter sido por causa da altitude ou pelo desgaste natural, fato é que estávamos no meio de uma filmagem num colégio de Potosí. Nesta cidade existe uma organização muito forte de meninos e meninas trabalhadores. Eles se reúnem regularmente para falar de suas condições de trabalho e formação, para formular suas exigências diante de uma sociedade que, por um lado, precisa deles como mão-de-obra, e por outro necessita de jovens com boa formação, aptos a se tornar profissionais um dia. Conhecemos Reina ("Rainha": que nome mais bonito!), uma jovem de 17 anos que trabalha como empregada doméstica pela manhã, e pela tarde, vai à escola. Seus deveres de casa, ela tem que fazer de noite. Ela nos conta a sua história com uma desenvoltura e segurança impressionantes diante da câmera, rodeada por suas companheiras.



E assim, em plena filmagem, a câmera deixou de funcionar – o final frustrante de um dia que tinha sido tão proveitoso.

Mais tarde nos perdemos pelo labirinto do mercado municipal de Potosí, onde se vende xampu, cópias de DVDs, verduras, roupas, cestos, sapatos e um sem fim de outros artigos, numa confusão de cores. Na parte de carnes, se oferece de tudo:



Num canto encontram-se as vendedoras de folhas de coca:



No andar superior estão os alfaiates que, dentro de poucos dias, confeccionam roupas sob medida. E ao fundo, encontramos uma lojinha, de mais ou menos 4 metros quadrados, onde se consertam relógios, celulares e rádios. Essa é a nossa salvação! O engenheiro eletrônico pega a câmera com entusiasmo, a desmonta peça por peça... e encontra o problema. Ele tira cabos e todo tipo de peças de reposição de dentro de suas incontáveis gavetinhas. Não há peça de marca ou parafuso que ele não encontre. Ele consegue fazer até a solda mais delicada, e não há pecinha, por menor que seja, que ela não consiga limpar. O celular que devia consertar hoje fica adiado para amanhã.



Depois de três horas de trabalho detalhado e minucioso, a câmera volta a funcionar. A criatividade e engenho bolivianos salvaram a nossa viagem a Salar de Uyuni.
 
 
 
Mirjam Gehrke 01.10.2009, 22:49 # 0 comentários
0
 
 
     
0 comentários

Nome
E-mail
Página inicial
Comentário