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Uma vez, Potosí já foi a cidade mais rica do mundo. Os espanhóis descobriram o tesouro do Cerro Rico e exploraram as jazidas de prata, com que se financiou a vida nas cortes da Europa. Naquela época o Cerro Rico, que domina a cidade com sua silhueta multicor, tinha 5 mil metros de altura.
Hoje a montanha está exaurida. Já não se encontra quase prata, e está tão esburacada por dentro que parece um queijo suíço. Por causa dos frequentes desmoronamentos das minas antigas, o Cerro Rico está encolhendo, medindo hoje apenas 4.800 metros de altura.

A prata foi uma maldição para os indígenas de Potosí. Durante os primeiros anos de colonização espanhola, morreram 8 milhões de pessoas. Com a prata de Potosí teria sido possível construir uma ponte do Cerro Rico à Espanha, dizem por aqui. E com os ossos dos mineiros mortos, mais outra.
Potosí é uma beleza áspera e um tanto tímida, da qual convém aproximar-se bem devagar – a 4 mil metros de altura, não se recomendam nem o passo acelerado nem "as emoções fortes", nos dizem as pessoas do lugar. Porém, graças às folhas e ao mate de coca, o corpo ignora a escassez de oxigênio no ar. A oferta de folhas de coca no mercado da cidade é abundante.

... e dizem que as ruas de Potosí são tão estreitas, que aqui os cachorros só podem balançar o rabo para cima e para baixo. |
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